Minas é líder de tráfico de animais no Brasil


Arara em processo de recuperação em centro de triagem de animais na capital

Em garrafas de leite, tubos de PVC e malas. Assim, em condições degradantes, pássaros, répteis e pequenos mamíferos são transportados rotineiramente em Minas, com um único objetivo: o lucro. Apenas neste primeiro semestre, 9.802 espécimes da fauna regional foram resgatadas pela Polícia Militar de Meio Ambiente, média de 54 ao dia. Números que reforçam a posição do Estado como líder no tráfico de animais.

Boa parte desses animais é levada para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Presente em 23 Estados, o órgão recebeu, em Minas, 6 mil encaminhamentos no ano passado, quase 2 mil à frente do segundo colocado, a Bahia.

A WWF Brasil calcula que a venda de animais silvestres movimente, apenas no país, US$ 1 bilhão anualmente, fazendo 12 milhões de vítimas. A ONG estima que nove de cada dez animais retirados da natureza morrem durante o transporte, que pode chegar a até 3 mil quilômetros de distância.

Dimensão

Para o tenente Flávio José de Souza, da Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente, a diversidade de biomas e de espécies em Minas Gerais estimula a cobiça de bandidos. “O Estado é um das principais rotas do tráfico de animais. Muitos são vendidos em outras regiões. Em algumas situações, passam pelas estradas mineiras provenientes de outros lugares”.

Os poucos animais que sobrevivem são encaminhados aos centros de triagem. Chegam com olhos furados, membros cortadas, com necroses e desnutridos, conta a analista ambiental e veterinária do Ibama Cecília Barreto. Alguns, de tão machucados, não podem retornar ao habitat.