Filosofia e a Questão dos Direitos Animais (Estudo) - Parte 2


O Dever pelo Dever: Inteligência, razão, sensibilidade

O maior problema é o fato de que, toda cada vez que algum cientista coloca que um determinado animal é inteligente e que pode ter compaixão por outros seres, muitos outros patronos da sabedoria se apressam em dizer que este tenta antropomorfizar[17] os animais não-humanos, porém, parecem incapazes de notar que por parte deles, é recorrente essa visão contrária de aceitar que os animais não-humanos possam ter senciência, tal como os seres humanos – nada mais que um subterfúgio, para que se continue maltratando animais em nome de uma raça que se julga como única espécie racional – sem se darem conta de que possuem , na maioria das vezes, uma Razão irracional quando se trata de animais não-humanos.

Os não-humanos, considerados pela humanidade como animais irracionais- somente porque não procuramos entendê-los como são, no estágio de evolução onde se encontram - não parecem necessitar da razão humana para sobreviverem e não é a racionalidade deles que está degradando o Planeta. No entanto, os seres mais racionais de Gaia produzem toneladas de lixo por dia, esgotam as riquezas naturais, matam com requintes de crueldade não apenas animais não-humanos, mas animais humanos sejam, eles crianças, filhotes, fêmeas, mulheres, machos, homens. Queimam florestas, poluem o ar, as águas, enfim, a racionalidade humana parece-nos apenas existir para destruir. Claro que devemos nos lembrar que existem muitos seres humanos altruístas, mas eles apenas são necessários pelo poder de destruição que molda grande parte da humanidade.

Seja como for, uma das verdades que nos surge é o fato de que os animais são seres sencientes, capazes de perceberem sensações de prazer e de dor, sendo assim como seres racionais, devemos deixar de matá-los não apenas porque desejamos sobreviver, mas por respeito a eles, respeitando os direitos que eles realmente possuem - esse o passo mais difícil para os antropocêntricos-. Essa primeira revelação nos mostra que ao contrário dos mecaniscistas, hoje sabemos que os animais possuem uma sensibilidade tal como a nossa e isso não se trata de antropomorfismo, mas de uma realidade científica acatada até mesmo pelos vivisseccionistas, que para escapar dessa “aporia” decidiram, ao utilizarem suas cobaias, fazer uso de anestésicos para que elas não sentissem dor, ignorando ainda o fato desses animais não-humanos possuírem direitos a vida e a liberdade simplesmente por existirem, não pela razão ou pela inteligência ou ainda por sua sensibilidade, mas pelo fato de dividirem a mesma terra conosco e que, porque nós “seres racionais” lhes devemos a tutela de nossa ética e de nossa moral, pois dentro de seu campo de inteligência cada um deles, a seu modo, desenvolve o raciocínio para suas necessidades básicas

Outra verdade que nos surge é a de que os animais não-humanos não nasceram para nos servir, nem são inferiores , pesquisas demonstram que possuem memória, que possuem uma linguagem própria, alguns se chamam por nomes, muitos fabricam ferramentas e outros conseguem aprender a linguagem dos sinais como Koko (gorila) e Washoe[18](chimpanzé). Mesmo que não houvesse provas de sua inteligência, isso jamais nos daria o direito de dispor de seus corpos.

“Quando se lida com o sofrimento dos animais há tradições que devem ser ultrapassadas” (David Favre,advogado e professor)

Como ajudar animais de rua e o que fazer em caso de maus tratos - 1a parte

Foto: Reprodução

Sabemos que no Brasil em geral existem muitos animais soltos pelas ruas, que são abandonados pelos seus donos, e animais que têm dono e são maltratados por eles, ficando muitas vezes acorrentados sob sol e chuva, sem água e comida, ou são largados doentes sem os cuidados necessários.

A ativista defensora dos animais Luciana Ronconi, responde questões sobre defesa dos animais: (de uma série de entrevistas dadas à Rádio Defesa dos Animais)

Gostaríamos de saber o que pode ser considerado maus tratos?

Podem ser considerados maus tratos:
Abandonar, espancar, golpear, mutilar,e envenenar animais
- Manter animais presos permanentemente em correntes ou em locais pequenos e sujos, não abriga-los de sol, chuva e frio, mante-los sem ventilação ou luz solar, não alimentá-los diariamente, negar assistência veterinária a animal doente ou ferido, submeter animais a trabalho excessivo, capturar animais silvestres, utilizar animais em shows que possam lhe causar estresse, promover rinhas e eventos violentos envolvendo animais.

E como devemos proceder ao presenciar um caso de maus tratos?

Em qualquer situação de maus tratos, a pessoa que presenciou o fato deve dirigir-se pessoalmente a uma delegacia do meio ambiente da sua cidade e registrar a ocorrência, além de escrever um requerimento de próprio punho solicitando a instauração de inquérito policial para investigar o caso.

Caso na sua cidade não exista uma delegacia do meio ambiente, faça a denuncia em uma delegacia comum, apenas leve uma copia da lei de maus tratos, que é a lei de número  9605/98, que é a lei de Crimes Ambientais, que pode ser encontrada fazendo uma pesquisa na internet.

Se possível, registre o fato através de fotos, e peça a um veterinário que vá até o local e faça um laudo de maus tratos. Em muitos casos, os maus tratos são visíveis, como por exemplo, em caso de desnutrição, onde o animal está muito magro, ou quando o animal apresenta sinais visíveis de doença e maus tratos. Nesses casos, levar fotos e um laudo veterinário reforça a denuncia.

Muitas vezes, vale a pena tentar contatar a pessoa, tocar a campainha e tentar conversar com a pessoa, saber o porque do animal estar naquelas condições. Muitas vezes, é falta de informação, ou falta de condição financeira para cuidar dele.