S.O.S. Passarinho

Espaço destinado a divulgação dos problemas enfrentados pelas aves livres e sugestões de procedimentos que minimizem esses impactos.

1- Filhotes "abandonados"

É muito comum na primavera, estação com os maiores índices de reprodução das aves, aparecer nas clínicas veterinárias, Centros de Zoonoses e CETAS -Centro de Triagem de Animais Silvestres, uma quantidade enorme de filhotes de aves silvestres trazidos pela população, que busca auxílio à esses filhotes “abandonados”.

Realmente, parte desses filhotes são vítimas de perda de habitat, de quedas de ninhos após chuvas e ventos fortes, sofrem maus tratos pelo ser humano ou são caçados por animais domésticos como cães e gatos.

Infelizmente, apesar da boa intenção da população, uma grande parte desses filhotes não são vítimas dos impactos ambientais acima citados, simplesmente, são recolhidos em locais próximos aos seus ninhos, no momento em que começam a se aventurar pela área onde nasceram, quando ainda não voam perfeitamente e dependem dos pais para alimentação e proteção.

Antes de recolher qualquer filhote, as pessoas devem, em primero lugar, ter a certeza que este animal está precisando ser retirado daquele local. Devemos lembrar que as aves dividem o meio ambiente conosco, fazendo ninhos em forros de casas, jardins, árvores de rua e, até em postes de iluminação pública, portanto, é possível que aquele filhote esteja apenas dando seus primeiros passos para a vida e não esteja abandonado como parece.

Sugestões para este caso:

1) Antes de qualquer coisa, faça uma avaliação detalhada do ambiente para ter a certeza que este filhote realmente precisa ser recolhido por você. Procure seu ninho, seus pais, tente identificar a espécie, idade e condições da ave e dê TOTAL PREFERÊNCIA para a permanência da ave no local, deixando a natureza seguir seu caminho.

2) Um filhote recolhido e criado pelo ser humano, dificilmente poderá ter uma vida normal, uma vez que não aprenderá com os pais a caçar ou buscar alimentos, se proteger de predadores e, terá extrema dificuldade de readaptação ao ambiente em que ele vive.



3) Se o ninho está em sua propriedade e foi apurado que houve ataque de seus animais domésticos (cães ou gatos), o melhor caminho seria prendê-los até que os filhotes tenham ido embora naturalmente. Se isso aconteceu em local público e souber qual foi o animal predador, oriente os proprietários.

4) Se descobrir que o ninho foi destruido, mas, os pais ainda estiverem presentes no local, pode-se tentar fazer uma adaptação ou reformá-lo, deixando-o o mais natural possível, e, observar se os pais aceitam os filhotes novamente.

5) Oriente a comunidade local (vizinhança) quando necessário, conscientizando-os da importância das aves para o mundo e para o ser humano. Se verificar que os riscos são maiores, muitas vezes, a única alternativa pode ser o sigilo quanto a existência do ninho e dos filhotes.

6) Vale lembrar que, quando os filhotes estão maiores, apesar de não estarem totalmente aptos para o vôo, não ficam mais nos ninhos, por isso, muitas vezes, o melhor a fazer, é colocá-los em algum local protegido, próximo do antigo ninho, e, deixar que os pais os encontrem através de seus chamados/pios para continuar a tarefa de alimentá-los e educá-los.

7) Se confirmada a impossibilidade de devolvê-los aos pais e ao seu ambiente natural, deve se ter consciência da responsabilidade que é tomar conta de um filhote de ave silvestre, geralmente frágil, delicado e carente de cuidados muito especiais durante um bom tempo ou até por toda a vida. Além disso, é preciso saber que criar aves silvestres sem autorização dos orgãos competentes é contra a lei, podendo ser enquadrado na Lei de crimes ambientais.

8) Em caso de recolhimento do filhote, o único meio legal é levá-lo aos orgãos competentes, como IBAMA, CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres) e Centros de Zoonose.

9) Médicos-veterinários podem atender animais silvestres livres em situações de emergência, mediante controle de entrada e saída de indivíduos atendidos e posterior encaminhamento aos orgãos competentes.

10) Na impossibilidade ou não aceitação em se levar o filhote aos orgãos competentes, o voluntário deverá cuidá-lo da melhor maneira possível, de preferência, levando o animal a um médico-veterinário especialista em aves.

11) Cada espécie de ave tem sua alimentação e cuidados específicos e o primeiro passo para tentar salvar o filhote é a correta identificação da espécie. Uma das alternativas é o registro fotográfico da ave e envio ao site para a exata identificação e orientações necessárias.

12) Evitar o Imprint:
Um dos grandes problemas para a posterior soltura das aves é o fato dos filhotes, alimentados por humanos, acabarem por ter suas características de comportamento alteradas. Uma das alternativas é o uso de marionetes ou caixas ninho que impeçam a visualização do tratador pelos filhotes.

Algumas dicas sobre alimentação de filhotes abandonados:

A quantidade e frequência da alimentação oferecida a cada filhote varia de acordo com a idade e a espécie, mas geralmente: -quanto mais novo é o filhote, mais vezes se torna necessário se fornecer alimentos e em menor quantidade. Quanto mais velho é o filhote, menos vezes pode ser oferecida, porém em maiores quantidades.

Anus: Se alimentam de insetos, répteis, anfíbios e até filhotes e ovos de outras aves. Uma boa alternativa temporária é ração de cães para filhotes de pequeno porte umidecidas com água morna. Sirva-as quando ainda estão mornas e ainda consistentes, mas não duras…

Beija-flores: Chegam a caçar mais de 400 pequenos insetos por dia e se utilizam da energia do néctar das flores para compensar seu alto gasto energético diário.

Devido ao seu alto metabolismo, facilmente ficam hipoglicêmicos, ou seja, com pouca glicose no sangue. O primeiro procedimento em casos de resgate de filhotes ou até mesmo adultos é fornecê-los água com açucar(4:1) ou glicose à 25% em uma seringa. Deixe-o sugar o líquido pela abertura da mesma. Não forçe o animal, sob risco de matá-lo afogado ou por asfixia.

Bem-te-vi: Se alimentam de frutas, isetos, répteis, anfíbios e até filhotes e ovos de outras aves. Uma boa alternativa temporária é ração de cães para filhotes de pequeno porte umidecidas com água morna. Sirva-as quando ainda estão mornas e ainda consistentes, mas não duras…

Corujas: Essas Corujas da foto, foram desalojadas de seu ninho e impedidas de ter seu desenvolvimento natural. Segundo o dono do imóvel onde estava a ninhada, os filhotes faziam muito barulho à noite e seu inquilino estava reclamando muito…

Seu ninho foi lacrado pelo proprietário e a Prefeitura foi chamada para a retirada dos mesmos.

Após saber dos acontecimentos, fizemos um ninho artificial e colocamos a 4 metros do ninho original e com alimentação forçada aos filhotes, esperamos a reação dos pais ao novo ninho.

Após 3 dias sem resposta dos pais, os filhotes foram novamente resgatados, alimentados e treinados até a soltura definitiva ao seu ambiente natural.

Em 1 mês, foram utilizados, 80 ratos de laboratório, 50 pintinhos e muita carne moída com carbonato de cálcio, 1 x ao dia, sempre ao anoitecer…

Gaviões, Falcões e Águias: Se alimentam de uma grande variedade de insetos, aves, répteis, anfíbios, mamíferos e peixes, variando a quantidade e a qualidade, de acordo com a espécie.

Uma boa parte das espécies pode ser alimentada provisoriamente com carne moída úmida com carbonato de cálcio em pó.

Em alguns casos e em algumas espécies, quando for preciso um atendimento prolongado é sugerido dar animais inteiros como ratos e insetos, uma vez que rapidamente sofrem de carências vitamínicas e minerais quando expostos a alimentação não natural da espécie.

Sanhaçus e Sabiás: Se alimentam de frutos e insetos. Os filhotes podem ser alimentados com papas de frutas e insetos e/ou rações industrializadas específicas para estes tipos de aves.

Todas as informações acima são de responsabilidade do Dr. João Marcelo da Costa - CRMV 09678-SP, não cabendo ao Wiki-Aves, qualquer responsabilidade sobre as mesmas.

Fonte: http://www.wikiaves.com.br/wikiaves:sos_passarinho

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