Infecção no ouvido de cães

As otites, ou infecções no canal auditivo de cães são patologias que preocupam os tutores e podem causar sofrimento crônico em muitos animais.

A anatomia do ouvido de cães pode propiciar e perpetuar o crescimento de bactérias e fungos, pois é um local de difícil higienização. Raças criadas pelos humanos com muitos pelos pelo corpo e dentro do canal auditivo, são as mais predispostas como os cockers, poodles, malteses, shitzus e schnauzers.

Como começa uma otite? São múltiplas as possibilidades. Uma otite pode começar após um banho com água e produtos de limpeza caindo dentro dos ouvidos, pode vir por via sanguínea de uma infecção em outro lugar do corpo, acontece também quando o cão é mantido em condições inadequadas de higiene e coça o ouvido com as patas sujas de fezes ou pode surgir também após uma depilação inadequada dos ouvidos.

Existe a possibilidade de otites começarem por processos alérgicos, o que pode tornar o diagnóstico mais difícil. A alergia pode ser proveniente de algum alimento, pulgas ou produtos utilizados na higiene corporal. As otites alérgicas nem sempre são acompanhadas de sinais gerais como pruridos e queda de pelos.

A prevenção principal é o cuidado com o banho. Não se deve deixar entrar água nos ouvidos do cão, o que pode ser bastante difícil, então aconselha-se a utilização de algodão durante o banho, mas deve ser usado o algodão hidrófobo, que é aquele que não absorve água e é utilizado por baixo do gesso em caso de fraturas. Este algodão é encontrado em locais que comercializam medicamentos hospitalares.




O tratamento é feito normalmente à base de antibióticos ou antifúngicos de uso oral e uso tópico, anti - inflamatório e limpeza do canal auditivo com produtos específicos ou com algodão.

Alguns indivíduos melhoram as condições de otite quando se depilam os ouvidos, o que deve ser feito com produtos que provocam anestesia local. Na fase aguda, quando está muito infeccionado e com secreção, não se deve proceder à depilação pois pode piorar o quadro. Alguns cães entretanto não se adaptam à depilação e podem ter o quadro agravado também. Quando indicada, a depilação, que é na verdade o arrancamento dos pelos, deixa de ser necessária com o tempo, pois os pelos vão se tornando finos e deixam de crescer.

A utilização de antibióticos deve ser feita corretamente e pelo tempo total previsto, pois parar antes o tratamento pode selecionar bactérias resistentes. Da mesma forma, não se deve utilizar produtos que contenham antibióticos apenas depois do banho como forma preventiva.

Após o primeiro tratamento, caso não haja sucesso ou aconteça uma rescidiva, pode ser aconselhado uma coleta de material e envio ao laboratório para identificação da bactéria e do antibiótico específico, ou seja, cultura e antibiograma.
Alguns casos mais complicados podem requerer cirurgia para remoção do ouvido médio como forma de melhorar a anatomia, a aeração, a limpeza e propiciar uma convivência melhor com as bactérias e fungos que são habitantes normais do ouvido.

Na verdade, existe uma flora normal de bactérias e fungos que habitam o ouvido de cães, da mesma forma que no nosso. As otites podem ser, em alguns casos, o desequilíbrio destas populações, daí a importância da higiene, da aeração, da retirada de pelos quando for o caso e da manutenção da saúde como um todo para que o sistema imunológico faça sua parte.

Muitos tutores, no desejo de manter um ouvido saudável no tutelado, acabam por piorar a situação ao utilizarem produtos oleosos, água e álcool para limpeza rotineira, o que pode desequilibrar mais ainda a flora e causar otite. A dica básica é utilizar algodão sêco apenas, e muito cuidado com hastes com algodão na extremidade, pois podem empurrar as secreções normais para o fundo do ouvido e causar mais problemas.

Aconselhável que não se faça medicação por conta própria, não se repita receitas e nem se compartilhe receitas com amigos. Cada caso é um caso e caso e casos semelhantes podem pedir soluções diferentes.

Por Leonardo Maciel

Fonte: http://www.olharanimal.org/adocao/olhar-veterinario/2899-infeccao-no-ouvido-de-caes

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