11 Dicas de como ensinar direitos animais para crianças

Muitas pessoas nos enviam e-mail parabenizando pelo trabalho no Projeto Ulinha que promove os Direitos Animais para crianças, e pedindo dicas de como aplicarem isso nas suas respectivas cidade ou escola. A partir dessa demanda, resolvemos escrever esse artigo sistematizando algumas dicas que julgamos importantes e nos guiamos na elaboração de nossa prática.

Ensinar direitos animais para crianças não é muito comum. Geralmente as atividades não são baseadas no respeito, mas na preservação para uso. Ou seja, o utilitarismo em detrimento do reconhecimento de direitos inerentes aos animais. Os pais e educadores devem estimular as crianças a valorizarem as boas ações em prol dos animais. É preciso despertar o interesse do engajamento das escolas na Educação HUmanitária e na luta em defesa dos direitos dos animais e preservação do habitat natural deles.

A criança passará, assim, a trazer consigo um compromisso ético, combatendo as atitudes do comportamento violento e opressor na sociedade, criando um mundo melhor para todos.

11 Dicas de como ensinar direitos animais para crianças

1- Saiba a importância da Educação e estude! - Paulo Freire dizia que somos seres culturalmente construídos e inacabados. Então, precisamos desconstruir em nós velhos paradigmas opressores e seguir nessa jornada de contínuo aprendizado. A educação é agente de transformação. Ela transmite valores e muda comportamentos, visando um indivíduo crítico e criativo. É pensando nisso que acreditamos que mudanças são possíveis por meio da Educação, justificando nosso trabalho. E toda essa prática deve ser envolvida de responsabilidade, fundamento e planejamento. É preciso pensar globalmente e agir localmente, senão acabamos em uma superficialidade que em nada transforma a condição atual, reproduzindo idéias errôneas de conceitos antigos. Participe de Fóruns e leia de filósofos do direito animal até escritores de livros infantis.
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2- Faça um diagnóstico e elabore atividades específicas e contextualizadas! - É preciso analisar o grupo que irá trabalhar, conhecê-lo para respeitar suas especificidades e contextualizar as atividades e abordagens a realidade deles. Leve em consideração os problemas da localidade, a idade do grupo, os recursos do lugar, a quantidade de crianças, etc. Ter tudo isso numa lista bem organizada, irá auxiliá-l@ no planejamento das atividades.

3- Proponha desafios, descobertas e questionamentos. - Não subestime as crianças! Elas são inteligentes, investigadoras e questionadoras! Com desafios, elas acharão tudo mais interessante, irão se motivar, se tornarão mais participativas, além de empreender melhor a mensagem. Criança adora deslocar o outro, coisa que o educador deveria fazer sempre. Deslocar significa fazer com que o outro encontre seus argumentos e reconstrua o lugar que estava, criando uma nova forma de ver o mesmo que via antes. Criança desloca e, com isso, muda e cresce! De acordo com a Teoria de construção do conhecimento de Piaget, isso seria o desequilíbrio, com posterior assimilação ou acomodação, e assim a criação de esquemas e volta do equilíbrio. Jogue fora na lixeira a forma bancária e reprodutora que aprendemos as coisas, formando uma sociedade passiva, alienada e defensora do opressor. Problematize para que pratiquem e aprendem a ler o mundo. Para isso, utilize por exemplo, a exposição oral dialógica, fazendo perguntas às crianças para que elas construam seu saber.

4- Crie com didática e ludicidade. - A ludicidade é fundamental para a criança se interessar e se envolver. A didática é importante para que haja um processo de ensino aprendizagem. Lembre-se que é essencial haver uma progressão pedagógica, ou seja, não tente pular etapas, mesmo trabalhando de forma holística. Que tal utilizar histórias com fantoches?

5- Utilize jogos cooperativos. - A cultura de movimento reproduz e mantém a dinâmica opressora, da qual advém as explorações e violência, por meio dos jogos competitivos, amplamente praticados na escola, nas ruas e na TV. O jogo tem papel fundamental na construção de valores do indivíduo, que vivência no jogo as situações que recriará em ao logo da vida. Esses valores podem ser os da competição ou da cooperação, de acordo com os tipos de jogos vivenciados. Sendo assim, a utilização de jogos adequados é um importante recurso para a mudança social. Os jogos cooperativos estimulam valores de coletividade, empatia, integração, amor, colaboração, união, mobilização, dentre outros. Valores necessários para desconstruir ativamente o pensamento dominador contra animais não-humanos e outras minorias oprimidas.

6- Utilize recursos multimídia e oficinas para usar os sentidos! - Pequenos vídeos de no máximo 15 minutos são ótimos, já que é o tempo máximo que a criança consegue manter a atenção. Após isso, o tipo de atividade e ritmo deve ser mudado. O vídeo "Fulaninho, o cão que ninguém queria" , produzido pelo Instituto Nina Rosa é uma boa pedida. Os vídeos são um ótimo recurso pois utilizam imagens e sons, melhorando a assimilação de conhecimento! Para aprender por meio do fazer, vivenciando, realize oficinas de brinquedos reciclados, de lanche vegano, de pintura, etc. Organizar o que aprendeu em forma de desenho, é uma atividade interessante para a criança, e gera subsídios para entendermos o que elas pensam. Veja aqui a lista de videos infantis indicados no Canal do Ula no youtube.

7- Fazer o bem sem olhar a quem. - Seja honesto com as crianças e com os animais. Mostre-os como realmente são, sem colocá-los como meios para nossos fins em que devem ser protegidos por terem alguma importância para nós. Animais são indivíduos e não recursos. Mostre que a vida deles tem importância para eles próprios, e que eles são sujeitos que possuem interesses que devem ser protegidos e respeitados. A criança irá apreender que devemos respeitar o outro, independente do que ele pode prover para nós. Fazer o bem sem esperar algo em troca. Reforce que nós também somos animais, e que eles sentem tanto quanto nós. Para tal, faça a criança se colocar no lugar dos animais, imaginando o que faria ou sentiria no lugar deles em diversas situações diferentes. Que tal cada um escolher um animal e fazer uma pintura facial dele ou máscaras coloridas de papel para entrar de vez na brincadeira?

8- Cuidado com a semântica. O uso das palavras é muito importante. - É com elas que nos expressamos e passamos idéias. As palavras retratam nossa forma de pensar, que define nossa forma de agir. Se queremos mudar algo, mudar a própria forma de falar e transmitir idéias que influenciam no imaginário das pessoas, é um começo essencial. A linguagem é cultural e nela carregamos a submissão imposta aos animais. As crianças estão adquirindo e moldando o vocabulário e forma de pensar por meio das interações conosco. Troque dono, que denota a apropriação de um produto, por tutor, que passa a ideia de ser o responsável por alguém. Preservar, que denota algo autômato esperando ser usado, por proteger, que passa a mensagem de preocupação a integridade do outro.

9- Quer promover mudanças, então seja criativo e reinvente! - Já vimos aqui que o jogo não é brincadeira! Ele constrói valores e visão de mundo! Que tal analisar certos jogos antigos, que passam uma ideia opressora dos animais, e reinventá-los? Um exemplo é o Pesca-Lixo (veja ele aqui) do Ulinha, que ficou ainda mais divertido e desafiador que a antiga Pescaria! Nele, ao invés das crianças retirarem os peixes do mar, elas retiram o lixo, limpando o habitat natural, e ainda os destinam para as lixeiras de reciclagem correta de acordo com o material.

10- Os fins não justificam os meios. - Realizar passeios ao zoológico ou confinar animais em áreas da escola, como fazendinha, para que as crianças possam conhecê-los de perto, ter contato com eles ou manuseá-los, não necessariamente irá lhes desenvolver o respeito a esses seres. O mais provável é que ocorra o contrário, já que ali se entende que animais são apenas recursos passivos para nossos fins, sem vida própria que não ficar confinado esperando nossa visita e manuseio como desejarmos, se apropriando de seu corpo e vida. Há lindos filmes mostrando animais vivendo naturalmente em seu habitat, como o recente Chimpanzee da Disney Nature.

11- Tenha um ótimo material em mãos. - O Projeto Ulinha conta com uma cartilha inédita e exclusiva, elaborada com didática e ludicidade, contendo passatempos, curiosidades e desenhos para pintar, onde a criança irá desenvolver brincando o respeito aos animais, os vendo como sujeitos que possuem interesses que devem ser protegidos. Entre em contato conosco e adquira esse material que promove transformações para utilizar em sua ação com as crianças! A cartilha Ulinha é um material ideal para ser utilizado tanto junto em atividade, ou dado ao final dela, como uma lembrança para que a criança apreenda melhor em casa sobre diversos temas de Direitos Animais, se divertindo e multiplicando com a família e amigos.

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Ou nos envie e-mail contatoula@gmail.com

EXTRA: Para pais e responsáveis.

1- No processo de educação, os pais devem ter a preocupação de ensinar a criança a ver o animal como um amigo, que precisa ser protegido dentro e fora de casa, e não como brinquedo.

2- Até os quatro anos a criança vê o animal como um objeto, por isso é preciso que os pais mostrem a ela que os animais respiram, tem fome, sede, sentem dor, amam e jamais poderão ser abandonados. A partir dos dez anos é possível confiar os cuidados necessários à saúde do animal, sem que haja perigo de maus tratos, desde que sejam orientados corretamente.

3- "Crueldade infantil com os animais entre criminosos e não-criminosos" é o título de uma importante pesquisa realizada nos EUA, que visou estabelecer a relação entre a crueldade para com os animais durante a infância e o comportamento agressivo para com as pessoas, numa fase posterior da vida. A análise aprofundada, permitindo traçar um perfil, foi possível através de entrevistas individuais com três grupos de homens: criminosos agressivos, criminosos não agressivos e não-criminosos. Verificou-se que 25% dos criminosos agressivos informaram de cinco ou mais casos de crueldade contra animais em comparação a menos de 6% dos criminosos não agressivos e nenhum dentre os não-criminosos.

4- Analise criteriosamente os livros e brinquedos, selecionando os que não reafirmam explorações. Veja aqui lista de livros infantis selecionados pelo Projeto Ulinha.

5- Não há um jeito específico para ensinar o que é respeito. O primeiro passo é respeitar também, permitir que a criança aprenda assistindo a seu exemplo. Por fim, é importante chamar a atenção da criança ao vê-la desrespeitando outras pessoas, os animais e também o meio ambiente.

Veja AQUI vídeos de Direitos Animais para crianças muito legais que selecionamos!
http://www.youtube.com/playlist?list=PL8B168485FDC0A73B

Veja aqui o histórico de atividades do Projeto Ulinha para se inspirar e ter idéias de elaborar as suas. http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/projetoulinha/sobre.html
Texto de União Libertária Animal - ULA e Projeto Ulinha. www.uniaolibertariaanimal.com

Fonte: http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/variedades/artigos/34-como-ensinar-direitos-animais-para-criancas


Invista em Direitos Animais para Crianças
A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo." Nelson Mandela

Livretos educativos para leitura online ou download gratuito:

A União Libertária Animal, com autorização da Peta, traz para o Brasil  histórias em quadrinhos com temas inéditos abordados sob a perspectiva dos direitos animais, mostrando como é a vida natural de alguns animais e questionando como eles são explorados pelos humanos. É um material rico em informação para crianças e adultos! Os livretos foram traduzidos e adaptados para a língua portuguesa, por iniciativa da ULA, de forma independente e voluntária.

- Vida de Peixe: Livreto da Peta, traduzido e adaptado para a língua portuguesa pelo ULA. Usa  a abordagem infantil para tratar de um assunto muito sério: a realidade da vida dos peixes. Mostra como esses animais também sentem e devem ser respeitados. Dicas de brincadeiras educativas!

- Vida de Cachorro: Usa  a abordagem infantil para tratar de um assunto muito sério: maus tratos a animais domesticados. Mostra a história de uma cadelinha que vive presa numa corrente e todo o sofrimento que ela passa por seus tutores não terem responsabilidade. Incentiva a adoção, guarda responsável e mostra uma lista de sites de grupos que trabalham com resgate e adoção.

- Vida de Galinha: Usa a abordagem infantil para tratar de um assunto muito sério: como é a vida de verdade das galinhas! Mostra a rotina das galinhas poedeiras em fazendas industriais, o que acontece com os pintinhos e problematiza a indústria de ovos e carne. Além de mostrar um santuário de animais e o trabalho que é feito nesses lugares. Homenagem ao Santuário das Fadas.

- Vida de Vaca: Usa a linguagem infantil para tratar de um assunto muito sério: como é a vida de verdade das vacas! Fala sobre a indústria do couro e da carne, mostra o que acontece com os animais nas fazendas industriais, além de mostrar um santuário de animais e o trabalho que é feito nesses lugares. Homenagem ao Santuário das Fadas.

- Vida de Rato: Usa  a linguagem infantil para tratar de um assunto muito sério: como é a   vida de verdade dos ratos e outros animais usados em laboratórios! Fala  sobre testes em animais, vivissecção e métodos alternativos.  Homenagem  ao Grupo Katumbaia.

Fonte: http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/projetoulinha/dicas-ulinha.html


Cartilha Educativa Ulinha 
Material inédito e exclusivo que promove os Direitos Animais para crianças de forma lúdica e didática, a Cartilha Ulinha é indicada para crianças de 5 a 10 anos de idade (Ensino Fundamental I). Desenvolvida por uma educadora (Daniele de Miranda) e uma designer gráfico (Gracielle Queiroz), coordenadoras do Ula, contém passatempos, curiosidades, desenhos para pintar, e possui conteúdo divertido, investigativo e questionador, abordando diversos temas sobre nossa relação com os animais (Guarda responsável, pássaros, entretenimento, etc.), estimulando o respeito e proteção a eles.

Na cartilha, os animais são representados como indivíduos com interesses próprios que devem ser respeitados e protegidos. Esperamos assim, ajudar a potencializar a ação de educadores e contribuir para a formação integral das crianças, do processo de cognição a elaboração de valores sociais éticos, promovendo uma sociedade transformadora, baseada na cultura de paz. Temas transversais trabalhados na cartilha: Cidadania, Ciências, Respeito à Diversidade, Meio Ambiente e Ética.

Leitura online gratuita.

Fonte: http://www.uniaolibertariaanimal.com/site/index.php/projetoulinha/cartilha-educativa.html



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